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Como pensa um estudioso da tradição Salomônica?

(A wizard casting spells from his magic circle by the light of his cauldron surrounded by creatures. Engraving by J. Wood, 1763, after J. Collins..)

 

Por Robson Belli

Alguém que estuda demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais é uma pessoa que busca compreender e analisar as crenças e práticas relacionadas às entidades celestiais e demoníacas na cultura ocidental. Essa pessoa tem um forte interesse em entender as hierarquias e papéis atribuídos a essas entidades, bem como as práticas rituais e mágias associados a elas.

Essa pessoa pode ter uma abordagem crítica e um tanto cética em relação a essas crenças, ou pode ter uma visão mais espiritual e prática, ou ainda ambas as coisas, como é o meu caso. Independentemente da abordagem adotada, é importante destacar que o estudo desses tópicos é baseado em uma fundamentação histórica e em fontes primarias.

Ao estudar demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais, essa pessoa busca compreender a história e a evolução dessas práticas e crenças, bem como a sua relevância cultural e espiritual. Eu costumo buscar adotar uma abordagem de estudo mais  acadêmica desses tópicos, buscando compreender a fundo as fontes primárias e a história dessas práticas e crenças, em seu contexto histórico e cultural.

Por outro lado, eu também posso em alguns momentos ter uma abordagem mais prática, buscando aplicar essas crenças e práticas em minha própria vida e espiritualidade. Eu penso e vejo a demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais como formas legítimas de espiritualidade e busca pessoal, e pode adoto uma abordagem mais experencial para o estudo desses tópicos.

Independentemente da abordagem adotada, é importante destacar que alguém que estuda demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais está buscando compreender e analisar as crenças e práticas relacionadas às entidades celestiais e demoníacas na cultura ocidental. Esse estudo pode fornecer insights valiosos sobre a história, cultura e espiritualidade ocidentais, e isso é uma fonte de inspiração e busca pessoal para mim que adoto essas crenças e práticas.

Como um Magista Salomônico vê a adoração a demonios?

Como qualquer pessoa que estuda demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais a serio veria, com uma visão crítica em relação à adoração a demônios. Eu entendo a natureza e os papéis atribuídos aos demônios e reconheço que, na maioria das tradições, eles são considerados seres malévolos que buscam levar as pessoas para um caminho entropico.

Portanto, eu não vejo a adoração a demônios como uma prática espiritualmente legítima ou benéfica. Ao contrário, eu vejo a adoração a demônios como uma prática que pode levar a uma visão distorcida e equivocada da espiritualidade, e que pode levar a uma busca pelo poder e pela influência que muitas vezes se sobrepõe à preocupação com o bem-estar e a conexão com o divino.

Além disso, eu vejo a adoração a demônios como uma forma de adoração egoísta, que coloca as necessidades e desejos individuais acima do bem-estar coletivo e pode levar a um afastamento da responsabilidade social e cívica. Ela pode argumentar que, em vez de adorar demônios, as pessoas devem se concentrar em práticas espirituais que promovam o bem-estar pessoal e coletivo, a conexão com o sagrado e a busca por uma vida mais significativa e plena.

Em resumo, uma pessoa que estuda demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais provavelmente veria a adoração a demônios como uma prática espiritualmente equivocada e potencialmente perigosa. Ela pode argumentar que, em vez de adorar demônios, as pessoas devem buscar práticas espirituais que promovam o bem-estar pessoal e coletivo, a conexão com o sagrado e a busca por uma vida mais significativa e plena.

Se o magista for pragmatico como ele reagiria a movimentos new age?

Se a pessoa que estuda demonologia, angelologia, cabala e os grimórios medievais for pragmática como eu sou, ela provavelmente terá uma abordagem crítica em relação a movimentos New Age que sejam mal fundamentados. Nós valorizamos a fundamentação histórica em nossos estudos e, portanto, tendemos a ser bastante céticos em relação a práticas que não tenham uma base sólida em fontes primárias confiáveis e precisas.

Uma pessoa como essa pode ver o movimento New Age como um fenômeno interessante, mas podemos e com muita propriedade argumentar que muitas práticas New Age são mal fundamentadas e têm pouca relação com as tradições espirituais autênticas. Nos ainda podemos argumentar sem muito temor que a falta de fundamento sólido pode levar a práticas que são potencialmente perigosas ou sem efeito, e podemos defender a importância da busca de uma compreensão precisa e completa da história, cultura e espiritualidade relacionados às práticas espirituais.

Além disso, uma pessoa pragmática como eu que estuda magia cerimonial pode argumentar que a busca pela espiritualidade deve ser fundamentada em práticas que sejam comprovadamente eficazes e que promovam o bem-estar pessoal. Costumo argumentar que as práticas espirituais devem ser avaliadas com base em critérios de eficácia e segurança, e que os indivíduos devem buscar práticas que sejam benéficas para si mesmos.

Sobre o mito de Salomão

A atribuição da magia grimorial a Salomão tem uma importância simbólica muito significativa para mim como praticante de magia. Salomão é uma figura lendária na tradição judaico-cristã, conhecido por sua sabedoria, riqueza e poder. Como mago, vejo Salomão como um modelo a ser seguido em busca do conhecimento e da maestria das artes mágicas.

Além disso, a atribuição da magia grimorial a Salomão dá uma sensação de continuidade e autenticidade à prática mágica. Acredita-se que a tradição grimorial remonta aos tempos antigos e é baseada em textos antigos e sagrados, muitos dos quais atribuídos a Salomão. Assim, a atribuição da magia grimorial a Salomão dá uma sensação de conexão com as raízes históricas da prática mágica e com aqueles que vieram antes de nós.

Por fim, a figura de Salomão na magia grimorial também representa o poder e o controle sobre as entidades e forças sobrenaturais. Acredita-se que Salomão tenha tido o poder de conjurar e controlar demônios, anjos e outros seres mágicos, e isso é uma habilidade que muitos magos da tradição grimorial buscam adquirir. Para mim, essa capacidade de controlar o mundo espiritual é fundamental para a prática da magia, e a atribuição da magia grimorial a Salomão reforça essa ideia.

Em resumo, a atribuição da magia grimorial a Salomão tem uma importância simbólica significativa para mim como praticante de magia, representando a sabedoria, autenticidade e poder da tradição mágica grimorial.

Gostaria de acrescentar que, embora nós entendamos que a atribuição da magia grimorial a Salomão possa ser considerada um mito, é interessante observar que essa crença já existia em tempos antigos. O historiador judeu-romano Flavio Josefo, por exemplo, já faz referência a Salomão como um exímio conhecedor da magia, e acredita-se que a cena de Eleazar, na qual um exorcismo é realizado invocando o nome de Salomão, também contribuiu para a associação entre Salomão e a magia. Independentemente de sua historicidade, a figura de Salomão continua sendo um símbolo poderoso na prática mágica, representando o conhecimento, a tradição e o domínio sobre o mundo espiritual.


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