Frater Annatar
“Porque deveríamos
chamar apenas um dos setenta dois famosos espíritos Do Ars goétia, se é
possível convocar de forma ‘’simplificada’’, um dos quatro Imperadores da hierarquia
infernal, que comandam todos os outros “demônios” abaixo deles? ”
Primeiramente é preciso
distinguir algumas questões, esse maravilhoso grimório da tradição Salomônica
de nome Clavis Inferni O Grimório de São Cipriano e latim “Clavis
Inferni sive magia alba et nigra approbata Metratona’’ é atribuído a M:L:
Cipriano e quase certamente foi o famoso São Cipriano de Antioquia que tinha a
reputação de ter sido um grande mago, antes de sua conversão ao cristianismo,
e que apesar de compartilhar esse nome famoso não possui nenhuma ligação com o
Livro Ibérico de São Cipriano ou o famoso e popular “Livro de São Cipriano:
Capa Preta’’ amplamente conhecido em países de língua portuguesa, pois
esse último teve sua primeira versão impressa em 1849 que ensina a desfazer
todos os feitiços dos Mouros no reino de Portugal. Por que São Cipriano, que
vivia na Antioquia, na Turquia do século II no antigo Império Romano, se
interessava pelos feitiços dos Mouros portugueses do século VIII não é
explicado, o livro foi levado de Portugal para o Brasil e tornou-se amplamente
utilizado na feitiçaria popular aliada a prática da Umbanda e do Candomblé.
Tudo isso foi entrelaçado com orações piedosas da religiosidade Católica
e popular, parecendo ter sido apenas uma produção ibérica, e como antes
mencionado o famoso Capa Preta não está relacionado ao Clavis Inferni,
exceto no nome apenas de seu suposto autor. O que de cara faz a comunidade
ocultista nacional brasileira em sua grande maioria desmerecer, menosprezar e
cuspir na tradição Ciprianica (que tanto contribuiu para a criação da
feitiçaria nacional), sem sequer parar para estudar um pouco que seja a
história por trás dos grimórios, ou ainda o desenvolvimento e a historia da
feitiçaria nacional brasileira.
Dito isso vamos comentar muito
brevemente sobre o conteúdo do Clavis Inferni propriamente dito, como mencionei
anteriormente, no início o método de goécia deste livro é “simplificado” por
mais que eu odeie usar essa palavra. O grimório aborda a inclusão dos quatro
Reis Demônios que são ilustrados de uma forma bastante peculiar, tanto como
Reis quanto em sua forma bestial. Em cada ilustração, cada Rei recebe seu
próprio selo (sigilo), algo único para este manuscrito.
Outra característica muito
interessante das ilustrações dos quatro Reis Demônios é que cada um é
acompanhado pelo nome do anjo e pelo nome divino que o constrange. Concordando
assim com toda a tradição grimorial salomônica onde é comumente usando o nome
de um anjo para constranger um demônio, o exemplo mais famoso disso seria a
seria A Goetia do Dr Rudd.
Com base nessa questão o
manuscrito nos dá uma série de curtos exorcismos, para conjurar esses Reis
infernais, e fazer uso de seus vários poderes do quais o mais vantajoso poderia
ser comandar os demônios sob suas hierarquias, permitido que o imperador decida
qual dos seus servos melhor executará a demanda do magista.
